O futuro é das subjetividades humanas

Rafael CifuRafael Cifu
4 min read

Esse é um manifesto de otimismo sobre o nosso futuro, como seres humanos.

Falar sobre o futuro é provavelmente um dos maiores hobbies do ser humano.

Melhor que viver o hoje é fantasiar sobre o amanhã.

"Estamos sempre correndo de algo ou em direção a algo" — como diz Michael Brown.

Isso já é assim há milênios, mas ultimamente parece que essa narrativa anda bem mais pautada e temperada por ansiedade, medo e pensamentos catastróficos.

AGI, ASI e tudo mais que é sigla imprimindo um futuro apocalíptico de caos, terror ou quem sabe superabundância e prosperidade (?).

Nas empresas, o FOMO (olha aí mais uma sigla) é quase tangível e parece que, a qualquer momento, tudo vai mudar e vamos ser disruptados por alguma nova tecnologia.

Há quem diga que não há inteligência alguma, e o que vemos é apenas um processo ultra sofisticado de estatística e poder computacional de processamento de dados, principalmente olhando para as LLMs, mas nada novo está sendo criado.

Há também quem diga que, embora os modelos estejam, sim, por baixo dos panos, "apenas" inferindo as melhores palavras com base em estatística e no seu treinamento, há um certo grau de imprevisibilidade e nuance nas respostas, que pode sugerir inteligência.

E essa inteligência, com o tempo, pode escalar de forma exponencial usando Reinforcement Learning (quando a própria IA treina a si mesma), o que pode fazer essa evolução de inteligência tender ao infinito.

Ao mesmo tempo, Sam Altman, CEO da OpenAI, diz que estamos provavelmente chegando a um platô em relação ao volume de dados disponíveis para treinamento. Ou seja, se dados fossem alimentos, imagine que os modelos já comeram tudo que havia para ser comido, e que o provável único caminho para continuar avançando agora é através de dados sintéticos (quando a própria IA cria dados e os utiliza em seu treinamento).

Fato é que estamos vivendo possivelmente um dos momentos de maior inflexão da humanidade, talvez até maior que o início da agricultura e a chegada da internet. Por mais que apareçam diversos especialistas e experts com previsões futurísticas, a verdade é que ninguém sabe o que vem por aí.

Naval Ravikant faz uma provocação muito interessante ao propor um cenário hipotético em que a humanidade de repente acorda pela manhã com 100% da população com cérebro altamente desenvolvido para tudo que é tarefa lógica e científica. Nesse cenário hipotético, após alguns anos, acontece um avanço tecnológico tão profundo e estrutural que ninguém mais precisa fazer tarefas repetitivas. A humanidade, então, migra para um tempo em que o que mais tem valor é a criatividade e a curiosidade, vivendo em plena abundância.

Peter Diamandis tem um olhar parecido quando diz que "a tecnologia será capaz de atender às necessidades de todos, em todos os lugares".

Talvez essas duas visões sejam até otimistas demais. Sendo sincero, não tenho tanta certeza de que vamos caminhar totalmente nessa direção. O ser humano é um bicho meio complexo, nunca fica satisfeito, mas gosto de imaginar — e até com uma pitada de fé — esse mundo abundante, com menos (ou nenhuma) desigualdade social e meio ambiente 100% protegido.

Além disso, tenho uma convicção muito forte de que, por mais que a IA possa, ao longo do tempo, simular e imitar as nossas emoções de forma perfeita, só nós saberemos o profundo privilégio de ter um coração pulsando forte aqui dentro. Quando apaixonados, vemos a pessoa vindo ali ao longe, de repente chegando, andando na nossa direção, numa quarta-feira cinza, sem graça e nublada, que de repente começa a saturar em cor, abrindo o sol quente, só por conta de um outro ser humano que a gente gosta e escolheu andar na nossa frente naquele momento.

Quando eu vejo uma apresentação da Nvidia mostrando um novo super chip ou o computador quântico Willow, do Google, rapidamente penso: "Uau, que poder." Mas, sinceramente, poder de verdade mesmo é o poder das conexões humanas profundas, o poder do amor materno capaz de proezas que nem a ciência explica, para salvar um filho em perigo. Poder de verdade é aquela menina da periferia que, contra todas as probabilidades, entra na faculdade pública de medicina, torna-se médica e começa uma revolução na sua comunidade, sendo inspiração para outras.

Quando você, empresário ou líder, sentir FOMO e insegurança por conta das novas tecnologias, lembre-se de que o maior poder que você tem é o seu propósito, atrelado às subjetividades humanas e histórias. Lembre-se de que a tecnologia é uma ferramenta que, claro, vai ficar cada vez mais poderosa — ou superultrapoderosa —, mas ainda assim é uma ferramenta que pode amplificar essas conexões humanas atreladas à sua marca, além de potencializar seus colaboradores (agentic era)

O futuro é muito incerto, mas o que sei é que o futuro é das subjetividades humanas.

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Rafael Cifu
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Alguém apaixonado por projetos e produtos que mudam a vida das pessoas para melhor.