ChatGPT Tasks e a Era dos Agentes de IA


OpenAI fez barulho essa semana, com o lançamento da versão beta das Tasks.
Verdade seja dita, Anthropic, do Claude, já havia lançado seus agents e computer use a bastante tempo, mas por algum motivo, a OpenAI sempre consegue fazer mais barulho em seus lançamentos.
Esse movimento, chamado por muitos de "Agentic Era", possivelmente pavimentará o caminho para alcançarmos a AGI (Inteligência Artificial Geral) ou a ASI (Superinteligência Artificial), prometendo romper a 4ª parede. Isso trará não apenas a possibilidade de conversar com o modelo de IA, mas também de vê-lo executando ações, como um assistente inteligente.
Os grandes players desse mundo de IA têm entrado em consenso quanto aos estágios necessários para alcançar essa Inteligência Artificial Geral (AGI).
OpenAI levels to AGI
No nível 3, onde teoricamente estamos, começa essa "Era dos Agentes de IA", abrindo um leque de possibilidades tanto no ponto de vista pessoa física, como pessoa jurídica.
Seria agora aquele momento que sempre esperamos, quando vemos Robert Downey Jr conversando com o Jarvis? Terei eu meu próprio Jarvis agora?
Iron man talking to IA
Talvez, mas não tão cedo assim.
Por mais rápido que a IA esteja avançando, você ainda não consegue pedir ao chatGPT que crie uma imagem de alguém escrevendo com a mão esquerda - ou relógios que não marcam 10:10. Já tentou fazer isso? É bizarro.
See content credentials
Isso acontece porque a IA foi treinada com centenas de milhares de dados, e a incidência de pessoas destras no mundo é muito maior. Além disso, é mais estético que os relógios marquem 10:10, então a maioria das propagandas e fotos usa esse horário. Por isso, a IA tem dificuldade em gerar relógios com outros horários.
Curioso, não? Tudo isso para dizer que, embora este possa ser o início de uma grande revolução, é importante ir com calma, pois não será do dia para a noite que tudo vai mudar (espero).
Interação passiva → Interação ativa
A maior mudança de paradigma que percebo é o início da participação ativa das IAs em nosso dia a dia.
Pense um pouco sobre o seu uso atual de IA: embora muitas pessoas (e posso dizer que estou nessa lista) tenham utilizado IA para diversas tarefas do dia, sejam elas simples ou mais complexas, a interação ainda é sempre passiva.
Os agentes trazem a possibilidade de interação ativa, ou seja, ações que partem da IA e não de nós, além de uma personalização que talvez nunca tenhamos visto antes.
Pense nisso: não será apenas um robô realizando tarefas braçais para mim, enviando lembretes etc., mas sim uma "entidade alienígena" (rs) que, pouco a pouco, me conhecerá de uma maneira que poucas pessoas poderiam, participando do meu dia de forma muito intensa, nos mínimos detalhes.
Esses dias, tive uma surpresa interessante ao conversar com o ChatGPT sobre possíveis caminhos de estudo que eu poderia seguir. Graças ao uso da memória, ele fez uma sugestão tão precisa que fiquei assustado: "Como sei que você já estudou isso e aquilo, trabalha com x e y projeto, e gosta de z tema, acho que você se interessaria em aprofundar mais em Behavioral Economics." Cara, que sugestão interessante, 100% alinhada comigo.
Esse viés interativo me faz pensar além, imaginando esses modelos atuando como aliados da minha saúde mental. Por exemplo: "Você já finalizou quase todas as tarefas do dia e, baseado no seu ritmo de entregas, se você fizer uma caminhada de 30 minutos agora, ainda conseguirá concluir o restante das tarefas a tempo." Ou até indo mais longe: "Lembre-se de que, nas vezes x e y, você já enfrentou desafios maiores que este, então não se preocupe demais — tudo vai dar certo."
Jornada ultrapersonalizada
Do ponto de vista das empresas, é óbvio pensar em agentes que acompanharão a jornada do cliente, desde a primeira interação até a conversão, o pós-venda e a retenção, de forma ultrapersonalizada, oferecendo comunicações tailor-made para cada cliente. Isso tornará obsoletas as comunicações massivas e sem graça que normalmente usamos. O máximo de personalização que temos hoje, muitas vezes, é "Olá, {{nome}}."
Talvez seja menos óbvio imaginar que esses agentes também poderiam "conversar" entre si. Já pensou?
Imagine que, na sua empresa, você terá centenas de agentes para diversos objetivos. Ok, agora imagine que, em um futuro próximo, a maioria das compras em e-commerce será feita por agentes pessoais de cada consumidor. E se eu pudesse pedir permissão para acessar as informações do agente dessa pessoa e oferecer experiências ainda mais personalizadas para ela?
Parece loucura, meio Black Mirror, mas não é tão improvável na minha cabeça.
Claro, sempre haverá o grupo de pessoas que evitará isso como o diabo foge da cruz. Mas também haverá aqueles que priorizarão a comodidade. E o que seria mais cômodo do que acessar apenas produtos e serviços que realmente fazem sentido para mim, com a curadoria de um agente que me conhece intimamente?
Times impulsionados por IA
Todo mundo repete aquela frase: "Pessoas não serão substituídas por IA, mas por pessoas que sabem usar IA." No entanto, algumas notícias e depoimentos de líderes do mundo tech têm causado certo alvoroço.
Mark Zuckerberg (agora "Mark Zuck", mais descolado), Jeff Bezos (Amazon), Sundar Pichai (Google) e outros têm falado abertamente que veem a IA escrevendo a maioria do código de seus produtos nos próximos anos. Alguns chegam a afirmar que, em 10 anos, não será mais necessário ter programadores nas equipes.
Sinceramente, acho isso um grande papo furado, além de um evidente conflito de interesses. Curiosamente, essas afirmações vêm justamente de empresas que desenvolvem IA e serviços de geração de código. Interessante, não?
Aqui na PMakers nós começamos a testar o Devin , um programador de IA. Quando o vi criando pull requests diretamente nos nossos repositórios, confesso que foi assustador. Após quase um mês de uso, ficou claro que ele é extremamente útil (e também caro, haha), mas nem de longe substitui completamente um desenvolvedor humano.
Na prática, vejo os agentes como ferramentas que turbinarão o trabalho das pessoas, ajudando a entregar mais, com mais rapidez e menor custo.
O que vem por aí?
Para extrairmos 100% do potencial desse movimento, será preciso reduzir o abismo entre a maior parte da população e o uso de ferramentas digitais.
Por ser algo maior que a chegada da máquina de escrever e da própria internet, a IA — e, especificamente, os agentes — precisa se tornar matéria básica no treinamento e capacitação de pessoas, em qualquer área profissional.
Você, empresário ou líder, independentemente do tamanho do seu negócio ou segmento, comece hoje um processo de conscientização e capacitação interna para não ficar à deriva enquanto todos ao seu redor estão navegando a todo vapor. Aprenda e intensifique a capacitação do seu time para utilizar as alavancas da tecnologia e aumentar eficiência, produtividade e a criação de produtos e experiências altamente personalizadas.
O futuro já chegou. Você está pronto para fazer parte dele?
// Escrito por um humano 🩵 - Revisado por uma IA 🤖
Subscribe to my newsletter
Read articles from Rafael Cifu directly inside your inbox. Subscribe to the newsletter, and don't miss out.
Written by

Rafael Cifu
Rafael Cifu
Alguém apaixonado por projetos e produtos que mudam a vida das pessoas para melhor.