Plano de celular do Nubank usado por um Operator AI?

Rafael CifuRafael Cifu
5 min read

Essa semana foi bem movimentada, começando com um lançamento um tanto inusitado: Nubank agora tem seu próprio plano de celular.

Olhando de longe parece estranho, aí olhando de perto fica mais ainda.

Brincadeiras a parte, esse é um movimento de posicionamento que o Nubank vem fazendo a algum tempo, ao posicionar-se como Plataforma, e não apenas Banco. Parece estranho mas talvez faça sentido, bora olhar com calma daqui a pouco.

Do outro lado, a OpenAI lançou enfim o seu concorrente ao Computer Use, do Claude (Anthropic), chamado Operator.

A ideia do Operator é formalmente entrar 2025 oferecendo a primeira versão de um agente de IA operacional, que consegue ir além do chat, imagens e vídeos, sendo capaz de fazer tarefas no mundo real (ou seria digital - ou ambos?)

Sinceramente, na minha visão, faria mais sentido evoluir os Custom GPTs para terem opcionalmente essa capacidade de Agente. Pense só, se você tem um GPT que é especializado em copywriting e social media, por que não pedir a ele que, além de criar a copy, também agende postagens nas redes sociais, faz sentido?

Enfim, Operator está aí, uma UI um pouco diferente do chat tradicional, prometendo ser o inicio dessa nova era de agentes IA participando do nosso dia dia, ajudando em tarefas e tudo mais.

E o que o Operator pode fazer?

A OpenAI oferece uma série de plugins integrados com plataformas de viagem, mercado, restaurante e outros (será que teremos a versão BR dessas integrações?), mas o Operator não fica restrito a essas possibilidades, sendo possível, pelas palavras do time que apresentou a novidade, utilizar o Operator em qualquer página da web.

A interface ficou bem interessante, pois é possível ver a IA navegando e clicando, como se fosse uma pessoa usando seu notebook. A qualquer momento, você também pode assumir o controle, efetuar alguma ação ou mesmo refinar a orientação que você deu.

Os casos de uso possíveis são inúmeros. Do ponto de vista pessoal, tem potencial para ser um ótimo assistente, capaz de realizar diversas tarefas maçantes, agendamentos, preenchimentos de cadastros chatos e até mesmo algumas que hoje só conseguimos fazer utilizando ferramentas de automação, como Zapier, Make, etc., incluindo integrações com Google Agenda, Gmail, Slack, entre outras.

Do ponto de vista corporativo, o céu é o limite. Talvez ainda leve algum tempo para que funcionalidades realmente interessantes sejam desbloqueadas, considerando também que, naturalmente, a OpenAI tem um apelo maior para PF - Varejo, enquanto a Anthropic parece focar mais em PF - Atacado. Mas penso que, naturalmente, alguns casos de uso serão:

  • Pesquisa de mercado

  • Assistente pessoal (agenda, compromissos, etc)

  • QA (testes de software)

  • Office Boy Digital

  • SDR - Prospecção ativa

  • CS - Pós venda ativo

  • UX Researcher

  • Entrevistas com usuários

  • Curadoria de notícias

Acho que a lista poderia tender ao infinito. O fato é que tudo é muito novo e, além dos casos de uso generalistas, é importante pensar no Operator (e em toda essa era de agentes) também como uma possível camada base, sobre a qual você poderá construir. Pense por um momento: se essas são as funcionalidades, por que não utilizar essas possibilidades de forma mais sob medida para o seu negócio? Imagine quantas tarefas manuais poderão ser otimizadas no futuro.

Provavelmente você lembra de ver Sundar Pichai, CEO do Google, fazendo uma demonstração de uma IA agendando um corte de cabelo por telefone, no Google IO 2024.

Será que em breve poderemos pedir a um Agente de IA para ir além do mundo digital, tirando o telefone do gancho (olha aí, mostrando a idade) e discando um número para fazer algo para a gente?

Imagino ser possível em um futuro não tão distante. E não só para algo simples, como no exemplo de Sundar, mas também acredito que teremos atendentes de IA conversando pelo telefone e/ou mandando áudio no WhatsApp em um futuro próximo.

E falando de agentes de IA usando o telefone, que movimento curioso esse do Nubank, não?

Nubank não é mais um banco

Ao entrar nessa seara, o Nubank de fato deixa mais claro o seu statement de ir além, vislumbrando um futuro ainda mais ambicioso e grandioso, posicionando-se como Plataforma.

No início parece estranho, ou até mesmo uma falta de foco. Mas lembre-se de que algo que o Nubank sempre demonstrou foi foco. Em vez de iniciar sua operação com 35 mil features incríveis e 1 milhão de possibilidades, ele começou simples, com apenas um cartão de crédito.

Esse cartão foi evoluindo, agregando mais possibilidades: conta digital, investimentos, seguros e, de repente, um ecossistema completo.

Muito desse ecossistema não é nada tão inovador assim. Os chamados "bancões" também já fizeram esse movimento há muitos anos, oferecendo diversos serviços em um marketplace completo onde você compra desde seguro saúde até uma geladeira nova.

Agora, telefonia celular é de fato disruptivo, ainda mais entrando em um mercado oligopolista, operacionalmente complexo e com altíssima reclamação por parte dos consumidores, na sua maioria.

Talvez esse foi o spark que bateu na Cris Junqueira e demais fundadores/sócios. Se eu consigo criar serviços digitais com experiências excepcionais para meus usuários, com um nível de NPS bem acima da média do meu mercado e com uma base enorme de clientes dispostos a experimentar praticamente tudo que eu lançar, por que não começar a se olhar como Plataforma?

Pensar sobre si sob um ângulo de plataforma, normalmente, é um caminho natural para quem já chegou lá.

Amazon não é um e-commerce

iFood não é um delivery de comida

Mercado Livre não é um catálogo de usados

Webmotors não é um site para comprar carro/moto

Ambev não é uma empresa de alimentos

Se esse movimento será de sucesso, só o tempo irá dizer. A Amazon mesmo já teve diversas iniciativas fracassadas, principalmente quando quis entrar em mercados fora do seu core business. Mas as que deram certo compensaram — e muito — os fracassos.

Ps1: cuidado ao usar esse discurso de "X empresa não é mais X coisa", "plataforma" e "ecossistema" para sair criando coisas que não fazem sentido nenhum para o seu negócio, usando essa desculpa para perder o foco. Quem faz isso e tem sucesso são negócios muito, mas muito maduros e líderes dos seus mercados, na maior parte dos casos.

Ps2: paz

// Escrito por um humano 🩵 - Revisado por uma IA 🤖

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Alguém apaixonado por projetos e produtos que mudam a vida das pessoas para melhor.