Replit, v0 e Lovable: Criar produtos digitais nunca foi tão barato?


Eu sei, só de ler esse título já bate aquele FOMO maneiro, não é?
Em mim bate, com certeza, não vou mentir.
Para quem, assim como eu, entrou nesse mundo da tecnologia e produtos digitais quando ainda se usava muito Swift e Kotlin para fazer um app (e ainda se usa, e faz sentido em alguns casos), era meio inacreditável imaginar que uma IA seria capaz de criar um app funcional em algumas horas.
Na última semana, pode ser a bolha em que estou inserido, mas fui bombardeado por posts e pessoas contando como têm usado Replit, Lovable, v0, Cursor, Bubble e tantas outras ferramentas para criar aplicações, até mesmo sem experiência prévia em programação.
É verdade que hoje já é possível criar aplicações com menos esforço do que antes — ou até muito menos esforço. Também é verdade que o caminho natural parece levar a um custo zero em algumas etapas do desenvolvimento. Agora, a pergunta que não quer calar: o que isso significa e como aproveitar isso?
Todo mundo agora é programador
A democratização dessas ferramentas que abstraem muito - ou tudo, nas etapas de desenvolvimento de produtos digitais, sejam elas no-code, low-code e etc trazem uma sensação que agora todo mundo é programador, do dia para noite.
Definitivamente, não.
É claro que, hoje, mesmo pessoas sem formação técnica conseguem, usando linguagem natural, construir aplicações simples e até algumas mais complexas com relativa facilidade.
Mas calma aí, jovem gafanhoto. Isso não quer dizer que você se tornou um cientista de dados ou engenheiro de software.
Se, por um lado, as possibilidades para prototipação, testes rápidos e um lean startup turbinado estão mais acessíveis do que nunca, por outro, é essencial ter humildade para reconhecer que nós — e falo isso como designer/empresário que sabe o básico de programação — não temos 1% do arcabouço técnico necessário para criar algo enterprise de fato. Estruturas de dados, algoritmos, segurança... isso continua sendo um jogo de especialistas.
Prototipação e testes na velocidade da luz
Dito isso, para as pessoas não técnicas: não deixe o FOMO te pegar, mas, ao mesmo tempo, entenda que estamos vivendo um momento incrível para quem ama criar soluções digitais e resolver problemas.
Nunca foi tão fácil criar um protótipo e testá-lo com usuários reais.
Pense no poder disso: não é mais necessário esperar meses para programar um MVP. Agora, podemos fazer isso muito mais rápido, testar, iterar e validar.
Vou te dar um exemplo pessoal: em um projeto, identificamos uma oportunidade de comunicação com clientes que tinham um tipo específico de carrinho aberto dentro de uma plataforma de e-commerce de terceiros. Essa plataforma não oferecia essa funcionalidade, mas era possível desenvolver essa camada de serviço.
Por se tratar de uma premissa a ser validada, não fazia sentido gastar horas do time de desenvolvimento. Então, convoquei meu amigo ChatGPT para montar um MVP desse serviço e testar o resultado antes de desenvolver a solução final.
Em duas horas, o ChatGPT me ajudou a criar uma API simples em Node.js, que fazia o parse do XML do catálogo de produtos e, com base no evento do carrinho específico, usava os IDs dos produtos e o e-mail do usuário para gerar um disparo via SendGrid.
Sinceramente, quando o e-mail de teste funcionou, eu não acreditei. Não entendi nem 30% do código gerado, mas, como teste rápido, funcionou e serviu para validar, de forma controlada, a hipótese inicial.
Agora, vamos usar esse código caso a premissa seja validada? O projeto é escalável? Claro que não. Mas cumpriu seu propósito: validar a ideia da maneira mais rápida e barata possível.
E para as pessoas técnicas, isso representa uma oportunidade gigantesca: fazer mais com menos. Se alguém sem formação técnica já pode construir aplicações com IA, imagine o que um especialista pode alcançar com essas ferramentas.
Você, empresário ou líder, precisa entender isso
Criar uma cultura de prototipação e testes rápidos dentro do seu time de tecnologia pode ser extremamente vantajoso. Além disso, quanto mais simplificado for o desenvolvimento, mais tempo e energia podem ser direcionados para:
✅ Aprimorar a experiência do usuário
✅ Garantir que estamos resolvendo um problema real
✅ Certificar-se de que estamos resolvendo o problema da forma certa
Com excesso de oferta, onde estará o valor?
Você já deve estar pensando nisso, acertei? E faz muito sentido.
Se o esforço técnico tende a cair cada vez mais, veremos um cenário de excesso de oferta: aplicações, plataformas e milhões de apps para qualquer gosto, nicho e segmento.
Como designer de experiência, não tem como não puxar a sardinha para o meu lado. Mas a verdade é que, assim como nos anos 90, 2000, 2010 e qualquer outro período, quem ganha é quem entende e resolve problemas reais, criando experiências incríveis.
É simples assim.
Na verdade, não é nada simples.
Mas o que eu posso te dizer é: em vez de pensar "agora posso criar produtos com menos esforço e menos investimento, bora sair fazendo um monte", pense "vou usar esses recursos para testar, validar e iterar minha experiência muito mais rápido e com menos investimento".
Se estamos vivendo (ou perto de viver) uma commoditização das soluções e interfaces, são as subjetividades e detalhes que vão vencer esse jogo.
É a sensibilidade para entender tendências e movimentos dos usuários, junto com uma visão de futuro, que vai te ajudar a posicionar sua solução de forma competitiva.
E reforço: em vez de sair criando dezenas de features mirabolantes com IA em tudo, pense em como conhecer ainda mais profundamente seu usuário e o que ele realmente precisa.
// Escrito por um humano 🩵 - Revisado por uma IA 🤖
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Rafael Cifu
Rafael Cifu
Alguém apaixonado por projetos e produtos que mudam a vida das pessoas para melhor.